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Manobra de Valsalva no avião: como aliviar a pressão no ouvido

Homem jovem sentado em avião, com dedos nas têmporas, olhando para baixo, janela mostra céu e avião ao fundo.

Um gesto simples pode tornar a equalização de pressão bem mais fácil.

Viajar de avião não é só lidar com assentos apertados e ar seco. Para muita gente, o maior incômodo aparece na descida: o ouvido “fecha”, começa a chiar e, às vezes, dói de verdade. Esse desconforto costuma ter a mesma origem - a equalização de pressão no ouvido médio não acontece como deveria. Nessa hora, um procedimento de respiração chamado manobra de Valsalva pode ajudar, desde que seja feito do jeito certo e com delicadeza.

Por que o ouvido “entope” de repente no avião

Durante o voo, a pressão dentro da cabine muda principalmente na decolagem e, com mais intensidade, na aterrissagem. Para o ouvido médio, isso é um desafio: ali existe uma pequena porção de ar que não se ajusta na mesma velocidade que o ambiente ao redor. Em condições normais, quem resolve esse equilíbrio é a trompa de Eustáquio (também chamada de tuba auditiva), que liga a nasofaringe ao ouvido médio e se abre por instantes quando a pessoa engole ou boceja.

Quando esse “canal” não abre bem, surge uma diferença de pressão. O tímpano se desloca, o ouvido fica com sensação de cheio ou esticado e os sons passam a parecer abafados. Em alguns casos, é só um incômodo leve; em outros, a pessoa descreve uma dor aguda. Fontes médicas como a Mayo Clinic tratam esse quadro como “airplane ear”, um problema de ouvido provocado pela variação de pressão durante o voo.

A situação costuma ficar mais complicada quando as mucosas estão inchadas - por exemplo, em resfriados, sinusite ou crises alérgicas. Nesses cenários, a trompa de Eustáquio tende a estreitar ainda mais, a equalização “trava” e os sintomas pioram.

"Quem voa com o nariz entupido tem um risco claramente maior de sentir pressão dolorosa no ouvido durante a aproximação para pouso."

Primeiros socorros sem técnica especial: bocejar, mastigar, engolir

Antes de imaginar o pior: em muitos casos, atitudes bem simples já aliviam o ouvido. Otorrinolaringologistas costumam repetir três movimentos básicos:

  • Bocejar: abre bastante a boca e aciona músculos na garganta que ajudam a abrir a trompa de Eustáquio.
  • Mastigar: por exemplo, um chiclete ou bala; o movimento da mandíbula estimula a equalização.
  • Engolir: a cada deglutição, músculos trabalham para abrir por instantes a conexão com o ouvido médio.

Quem começa a fazer isso na hora certa, na decolagem e principalmente na descida, muitas vezes evita o problema. Um chiclete ou uma bala durante o início do pouso pode ser suficiente para reduzir bastante o incômodo. Crianças costumam se beneficiar ainda mais, porque as estruturas são mais estreitas e a trompa de Eustáquio reage com maior sensibilidade.

O que é a manobra de Valsalva

Se bocejar, mastigar e engolir não resolverem, entra em cena a manobra de Valsalva. Ela é conhecida na medicina há muito tempo - inclusive em áreas como cardiologia e emergência. No contexto do avião, o uso mais comum é como uma forma direcionada de equilibrar a pressão no ouvido.

Na prática, trata-se de uma expiração mais forte feita com a boca fechada e o nariz “bloqueado”. Isso aumenta levemente a pressão na região do nariz e da garganta. Com esse aumento, a trompa de Eustáquio pode se abrir e permitir a passagem de ar para o ouvido médio, igualando a pressão dos dois lados do tímpano.

"Na manobra de Valsalva, o ar é ‘soprado para fora com o nariz fechado’ com cuidado - não na força bruta, e sim de forma controlada."

Passo a passo: como fazer a manobra do jeito certo

Para a manobra ajudar (e não atrapalhar), a técnica é o ponto central. Recomendações de fontes como a Mayo Clinic podem ser seguidas como um roteiro simples:

  1. Sente-se ou fique em pé com a postura ereta, para manter as vias aéreas livres.
  2. Inspire normalmente.
  3. Feche a boca por completo.
  4. Aperte suavemente as duas narinas com dois dedos.
  5. Sopre bem de leve contra a saída do nariz fechada - como se fosse assoar o nariz, porém numa versão mais fraca.
  6. Pare o esforço depois de 1 a 2 segundos e volte a respirar normalmente.

Muitas pessoas percebem um estalo ou um crepitar discreto dentro do ouvido - sinal de que a trompa de Eustáquio abriu e o ar passou. Se não houver efeito na primeira tentativa, dá para repetir após uma pequena pausa.

Quantas vezes dá para repetir a manobra de Valsalva?

Durante a aterrissagem, é possível usar a técnica mais de uma vez, desde que seja feita com cautela. Especialistas recomendam evitar “forçar” de modo contínuo; é melhor aplicar impulsos curtos e controlados. Entre as tentativas, bocejar ou engolir também ajuda a aliviar a pressão.

Um alerta importante é sentir dor forte e pontiaguda ao executar a manobra. Se isso acontecer, o correto é parar imediatamente e descansar. Se ficar na dúvida, vale procurar um otorrinolaringologista após o voo para checar o tímpano.

Quando é preciso ter cuidado extra

Embarcar com um resfriado forte ou com sinusite aguda, em geral, não é uma boa ideia. As mucosas estão inchadas, a trompa de Eustáquio fica mais estreita e a equalização se torna difícil. Justamente nessas situações, fontes médicas como o NHS e a Mayo Clinic alertam para não fazer a manobra de Valsalva de forma agressiva.

Em vez de usar muita força, profissionais sugerem algumas medidas de preparação:

  • Spray nasal descongestionante: aplicado pouco antes da decolagem e antes da aterrissagem, pode reduzir o inchaço da mucosa e facilitar a abertura da trompa de Eustáquio.
  • Protetores auriculares específicos: os chamados tampões de equalização de pressão desaceleram a mudança de pressão sobre o tímpano.
  • Começar cedo: iniciar mastigação e deglutição assim que a descida começar, e não só nos minutos finais antes do toque na pista.

Medicamentos devem ser usados pelo menor tempo possível e, idealmente, com orientação médica - especialmente no caso de crianças, pessoas com hipertensão ou gestantes.

Quando a pressão no ouvido vira caso de médico

Na maioria das vezes, o incômodo melhora pouco depois do pouso. Ainda assim, há situações em que o ouvido permanece fechado por horas ou até dias, com piora da audição ou pressão constante. Nesses casos, pode haver algo além de uma simples diferença de pressão.

Sinais de alerta em que faz sentido consultar um otorrinolaringologista:

  • dor intensa no ouvido durante o voo ou logo após
  • sensação de pressão que dura mais de 24 horas
  • redução evidente da audição ou presença de apitos/chiados
  • tontura, alterações de equilíbrio ou náusea
  • suspeita de lesão do tímpano, por exemplo após esforço muito forte

Em casos raros, uma diferença de pressão muito intensa pode, de fato, machucar o tímpano. Para diminuir esse risco, é melhor tentar com suavidade e repetir se necessário, em vez de fazer uma única pressão “na marra”.

Como se preparar para o próximo voo

Quem sabe que tem ouvido sensível pode se organizar antes mesmo da viagem. Um pequeno “plano do ouvido” reduz o estresse - principalmente em voos longos ou ao viajar com crianças.

Situação Medida útil
Histórico de ouvido ruim em voos anteriores Pedir orientação ao otorrinolaringologista antes da viagem; eventualmente fazer teste de audição ou checar o tímpano
Resfriado leve Planejar o uso de spray nasal descongestionante, beber bastante líquido e começar a mastigar cedo
Decolagem e aterrissagem Separar chiclete ou balas; engolir e bocejar com frequência
Pressão forte apesar das medidas Fazer a manobra de Valsalva com cuidado, em impulsos curtos; interromper se houver dor

O que acontece no ouvido durante a equalização de pressão

Para muita gente, esse processo parece um mistério. No entanto, a base é um princípio físico simples: o ar se expande quando a pressão diminui e se contrai quando a pressão aumenta. O tímpano funciona como uma parede flexível entre o canal auditivo externo e o ouvido médio. Se a pressão fica maior de um lado do que do outro, ele se desloca - e isso gera a sensação desagradável.

Quando a trompa de Eustáquio se abre, o ar entra ou sai do ouvido médio até que haja equilíbrio com o ambiente. O estalo que muita gente percebe vem do movimento do tímpano e das estruturas ao redor. Desde que isso ocorra de forma moderada, não há motivo para preocupação.

Valsalva não é solução para tudo - mas é um recurso prático

A manobra funciona melhor como complemento das medidas simples. É uma ferramenta útil para quem viaja com frequência, mas não é algo para fazer o tempo todo. Quando a pessoa começa cedo a bocejar, mastigar e engolir durante a descida, geralmente só precisa recorrer à manobra raramente.

Quem mergulha com frequência, vai a regiões de montanha ou pega avião muitas vezes pode até “treinar” a equalização com o tempo. Algumas pessoas passam a perceber com mais precisão quando é a hora certa de usar um impulso leve. O essencial continua sendo o mesmo: nada de disputa com o próprio ouvido - é um órgão muito sensível e exige cuidado.

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