Governo das Canárias barra escala do cruzeiro Hondius
O presidente do Governo das Canárias, Fernando Clavijo, disse que não aceita que o cruzeiro Hondius - atingido por um surto de hantavírus - faça escala no arquipélago. O dirigente também solicitou uma “reunião urgente” com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e criticou a decisão do Governo central, divulgada na terça-feira pelo Ministério da Saúde espanhol, de receber a embarcação nas Canárias.
Críticas de Fernando Clavijo e pedido de “reunião urgente” a Pedro Sánchez
Em entrevista à rádio Onda Cero, Clavijo afirmou que, na avaliação dele, não foi apresentado “qualquer critério técnico” nem houve garantia de informação suficiente para assegurar a proteção da população canária: “Não posso permitir que entre nas Canárias”, reforçou.
Ele declarou que não tem dados para “manter um discurso de tranquilidade” perante os moradores do arquipélago e acusou o Governo da Espanha de “deslealdade institucional” e de falta de profissionalismo, alegando que não foi informado previamente sobre a decisão.
O presidente canário também criticou a ministra da Saúde, Mónica García, por não ter esclarecido, de forma objetiva, quais parâmetros teriam sido adotados a partir das orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Decisão do Governo espanhol, OMS e ECDC: porto ainda indefinido
Segundo a informação tornada pública na terça-feira, o navio seria recebido em um porto de chegada “ainda não determinado”, e os detalhes do protocolo só seriam divulgados quando estivessem definidos pela OMS e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC).
O Ministério da Saúde espanhol justificou a aceitação do navio “em conformidade com o direito internacional e no espírito do humanitarismo” e destacou que o ECDC estava "a realizar uma inspeção minuciosa" para determinar "quais as pessoas que precisam de ser retiradas com urgência de Cabo Verde". "Os restantes seguirão para as Canárias, onde a previsão é de chegada em três ou quatro dias. O porto específico ainda não está definido", dizia o comunicado.
Ainda de acordo com a nota, "Tanto o atendimento médico como as transferências serão realizados em espaços e transportes especiais, especificamente preparados para esta situação, evitando qualquer contacto com a população local e garantindo a segurança dos profissionais de saúde em todos os momentos". O Governo espanhol afirmou também que a OMS explicou que Cabo Verde não tem condições de executar a operação e que as Canárias são "o local mais próximo com as capacidades necessárias".
Surto de hantavírus a bordo: mortes, sintomas e avaliação de risco
No domingo, a OMS informou três mortes associadas a um possível surto de hantavírus a bordo do navio, agente que pode provocar síndrome respiratória aguda.
Conforme a OMS, os registros de adoecimento na embarcação foram recebidos entre 06 e 28 de abril, com predominância de febre e sintomas gastrointestinais, evoluindo rapidamente para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.
A entidade avalia, neste momento, que o risco para a população global decorrente do surto é baixo e afirma que seguirá acompanhando a situação epidemiológica e atualizando a avaliação de risco.
Rota do Hondius e identificação da cepa andina
O navio, com 149 pessoas (88 passageiros) de 23 nacionalidades, fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina - de onde partiu em 20 de março - e as ilhas Canárias, com paradas no Atlântico Sul voltadas ao turismo de observação da vida selvagem.
A África do Sul identificou a estirpe andina em uma das duas pessoas que desembarcaram do cruzeiro afetado. Essa variante é descrita como a mais perigosa do vírus e a única, entre as 38 conhecidas, que pode ser transmitida de pessoa para pessoa.
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