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Como a altitude muda o armazenamento de carbono nas florestas do Himalaia indiano

Jovem pesquisador coleta amostras de solo em floresta de montanha com neve ao fundo, usando equipamentos científicos.

Subir uma montanha no Himalaia indiano significa atravessar faixas de floresta que parecem pertencer a mundos diferentes - e, ao que tudo indica, elas também guardam carbono de maneiras bem distintas.

Um estudo recente indica que as coníferas altas, próximas ao limite das árvores, funcionam como verdadeiros cofres de carbono incorporados na madeira.

Já as florestas em cotas mais baixas fazem outra coisa, de forma menos visível: concentram carbono no solo.

O trabalho é assinado pelos pesquisadores Arvind Singh, Vinod Prasad Khanduri e colegas da Uttarakhand University of Horticulture and Forestry.

O grupo passou um período na região de Garhwal, no Himalaia indiano, para entender com precisão como a altitude molda a “estratégia” de armazenamento de carbono das florestas.

Os resultados, segundo os autores, podem influenciar a forma como florestas de montanha são manejadas com foco climático nos próximos anos.

Três florestas, uma montanha

A equipa selecionou três tipos de floresta distribuídos ao longo de um gradiente expressivo de elevação.

As florestas de deodar ficaram na faixa mais alta, entre 1,900 e 2,300 metros.

As florestas de pinheiro ocuparam a zona intermediária, de 1,550 a 1,950 metros, enquanto as florestas mistas - as mais diversas entre as três - apareceram na porção mais baixa, entre 500 e 1,000 metros.

Em cada local, os pesquisadores quantificaram quanto carbono estava retido na biomassa das árvores e quanto permanecia armazenado no solo.

Para enxergar melhor o que ocorria abaixo da superfície, eles recolheram amostras em duas profundidades, complementando as medições feitas acima do solo.

No alto, as árvores viram unidades de armazenamento

Na comparação direta, as florestas de deodar ficaram à frente com folga.

Formadas por coníferas grandes e antigas, como a Cedrus deodara, essas áreas apresentaram entre 230.85 e 274.85 megagramas de carbono por hectare apenas na biomassa - o maior valor entre os três tipos de floresta.

A lógica é intuitiva: árvores capazes de viver por centenas de anos, engrossando tronco e ramos lentamente a cada temporada, acabam atuando como reservatórios de carbono “em pé” por gerações.

As florestas de pinheiro, dominadas por Pinus roxburghii, ficaram bem abaixo.

Ainda assim, elas contribuem para o sequestro de carbono em escala regional - só que em um patamar claramente menor do que o dos deodares mais acima na encosta.

Quando o solo faz a maior parte do trabalho

Ao descer para as florestas mistas, porém, o padrão se inverte. Ricas em espécies de folhas largas, elas não lideraram em biomassa, mas superaram as demais no que estava a acontecer no subsolo.

Nelas, foram observados os maiores teores de carbono muito lábil (7.43 miligramas por grama) e de carbono não lábil (2.06 miligramas por grama) entre os três tipos de floresta.

Essas florestas mistas também reuniram o maior pool de carbono ativo (13.48 toneladas por hectare) e o maior pool de carbono passivo (6.41 toneladas por hectare).

Em outras palavras, elas se destacam por transformar com eficiência a matéria orgânica do dia a dia - serapilheira, folhas caídas, raízes decompostas e outros restos em decomposição no chão da floresta - em carbono incorporado ao solo.

Esse carbono tende a permanecer retido por longos períodos, em vez de regressar rapidamente para a atmosfera.

Uma montanha, dois conjuntos de regras

Esse contraste - armazenamento baseado em madeira nas altitudes mais altas versus armazenamento baseado no solo nas áreas mais baixas - traz implicações práticas para o manejo florestal.

Aplicar uma estratégia única de conservação para toda a montanha ignoraria metade do fenômeno.

A proteção de remanescentes antigos de deodar é crucial, pois é ali que está acumulada a parcela de carbono em biomassa construída ao longo de décadas ou mesmo séculos.

Já em altitudes menores, a prioridade muda: ampliar a restauração florestal com múltiplas espécies e salvaguardar as florestas de folhas largas existentes é o que realmente reforça o armazenamento de carbono no solo.

Mais pesquisas ainda são necessárias

Os autores afirmam que permanecem questões relevantes em aberto.

Ainda é difícil separar quanto desses padrões se explica pelas próprias espécies arbóreas e quanto resulta de fatores associados à altitude, como temperatura, precipitação e desenvolvimento do solo.

A altitude altera várias características do ambiente ao mesmo tempo, o que torna complexo isolar o efeito de uma única variável.

Os cientistas defendem ampliar o estudo com monitoramento de mais longo prazo, para captar como esses padrões variam entre estações e ao longo de diferentes anos.

Além disso, eles apontam a necessidade de investigar com mais profundidade as comunidades microbianas do solo, a fim de esclarecer como a decomposição se desenrola de forma distinta em cada faixa altitudinal.

Fórmulas mais precisas e específicas por espécie para estimar biomassa também ajudariam a refinar ainda mais os números.

Um plano para uma montanha frágil

Este estudo conversa diretamente com as metas climáticas mais amplas da Índia, alinhando-se à National Mission for Sustaining Himalayan Ecosystem e ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 15 da ONU.

Na avaliação dos pesquisadores, incorporar esses achados em políticas florestais pode aumentar a capacidade do país de capturar e armazenar carbono.

“Nosso estudo reforça que uma abordagem de ‘tamanho único’ para a gestão do carbono florestal no Himalaia não é eficaz”, explicou a equipe.

“Em vez disso, reconhecer os papéis complementares das florestas de coníferas na retenção de biomassa e das florestas mistas de folhas largas na estabilização do carbono do solo nos permite desenvolver estratégias direcionadas e específicas por altitude, que otimizam o sequestro de carbono e aumentam a resiliência dos ecossistemas diante das mudanças climáticas.”

O caminho, portanto, não passa por escolher um tipo de floresta e abandonar outro, e sim por proteger as coníferas antigas que dominam as altitudes elevadas, enquanto se garante espaço para que as florestas diversas de folhas largas, mais abaixo, se expandam e se mantenham saudáveis.

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