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Coiotes em Atlanta fazem tocas perto de pessoas

Coiote adulto com dois filhotes sob um deck em área urbana com folhas secas e pessoas ao fundo.

A maioria das pessoas imagina coiotes em campos abertos, no deserto ou talvez à beira de uma estrada silenciosa ao pôr do sol. Só que essa imagem já não corresponde muito ao que acontece hoje.

Em muitos lugares, os coiotes já se instalaram em bairros residenciais, parques e até em terrenos baldios. O detalhe é que eles se comportam de um jeito tão discreto que, na maior parte do tempo, passam despercebidos.

Isso fica ainda mais relevante na primavera, período em que os coiotes têm filhotes e os criam.

Um estudo recente mostra que coiotes em Atlanta estão montando tocas surpreendentemente perto das pessoas - e, mesmo assim, conseguem permanecer quase totalmente fora de vista.

Uma vida familiar escondida bem diante dos olhos

Pesquisadores da University of Georgia acompanharam 48 coiotes urbanos com coleiras de GPS e localizaram 20 tocas em Atlanta.

Mais da metade dessas tocas estava em estruturas naturais, como buracos no solo e troncos de árvores caídos.

Outras tocas apareciam associadas a objetos produzidos por humanos, incluindo montes de concreto descartado, um barco virado e um pneu grande de trator, parcialmente enterrado.

Summer Fink, autora principal do estudo, é doutoranda na UGA Warnell School of Forestry and Natural Resources.

“Basicamente, vimos que os coiotes estavam tentando evitar pessoas”, disse Fink. “Os animais não queriam fazer tocas em áreas com muita atividade humana e desenvolvimento.”

Quando surgiam tocas perto de casas e construções, elas normalmente não ficavam ao lado de uma rotina movimentada. As casas, muitas vezes, estavam vazias, e os prédios, abandonados.

“Parecia que os coiotes percebiam esse risco, entendiam que não havia pessoas ali e decidiam fazer tocas nesses locais”, observou Fink.

O que os coiotes procuram em uma toca

Uma toca de coiote não serve apenas para se esconder. Ela precisa manter os filhotes seguros num momento em que são pequenos, indefesos e alvos fáceis para perigos.

“Eles estavam mais preocupados com a integridade estrutural das tocas. Desde que fosse resistente e tivesse cobertura visual ao redor para esconder os coiotes de serem vistos pelas pessoas, eles ficavam satisfeitos”, afirmou o professor Michel Kohl.

Essa maleabilidade ajuda a entender por que os coiotes se espalharam tanto. Hoje, eles vivem em todos os estados dos EUA, exceto no Havaí, e já foram registrados em todas as grandes cidades - de Los Angeles a Chicago e Atlanta.

O sucesso vem de uma combinação de cautela, inteligência e capacidade de aproveitar o que o ambiente oferece.

Por que os coiotes continuam aparecendo nas cidades

Coiotes são resilientes. Ao longo do último século, eles se expandiram muito além de sua distribuição histórica, em parte favorecidos pela redução de predadores maiores, como lobos, em muitas regiões - e também pela própria habilidade de comer praticamente qualquer coisa.

No ambiente urbano, esse cardápio pode incluir roedores, frutas, insetos, pequenos mamíferos e animais atropelados. Isso pode torná-los “vizinhos” úteis, mesmo quando as pessoas preferem não pensar neles dessa forma.

Eles ajudam a controlar populações de ratos e de outros animais pequenos. Depois de se alimentarem de plantas nativas, também dispersam sementes pela paisagem.

Além disso, atuam como uma equipe natural de limpeza, removendo carcaças que, de outra maneira, permaneceriam no ambiente.

“Sem um predador de topo, os ecossistemas podem ficar totalmente desajustados”, disse Fink.

Impactos do desenvolvimento humano

Ainda assim, existe um limite. Mesmo animais adaptáveis podem ser pressionados quando o desenvolvimento urbano ocupa cada pedaço de cobertura disponível.

“Eles são uma espécie incrivelmente adaptável e muito inteligente”, disse Kohl. “Mas provavelmente existe um limite.”

“À medida que a urbanização aumenta e os locais de toca se tornam mais restritos, isso vai colocar ainda mais pressão sobre a capacidade dessas populações de coiotes de se manterem nessas paisagens urbanas.”

O risco real para pessoas e animais de estimação

Os coiotes acabam levando a culpa por muita coisa. É comum que as pessoas temam doenças, ataques ou a perda de seus animais de estimação - e isso explica, em grande parte, a reputação difícil que eles têm. Porém, os pesquisadores afirmam que o risco real, tanto para humanos quanto para pets, é baixo.

Na Geórgia, os coiotes geralmente dão à luz entre meados de março e meados de abril. Neste estudo, as ninhadas variaram de dois a nove filhotes.

Nem todos esses filhotes chegarão à fase adulta. Nessa etapa, os adultos podem parecer mais atentos ou mais visíveis, mas não estão procurando confusão - a prioridade é proteger os jovens.

Encontros com coiotes urbanos

A primavera é a estação em que as pessoas têm mais chance de notar coiotes se comportando de maneira incomum. Um dos pais pode aparecer, circular mais do que o normal ou tentar chamar atenção.

À primeira vista, isso pode parecer ameaçador, mas muitas vezes é um sinal de que o animal quer que você se afaste.

“Se você estiver perto de uma toca, os pais podem se tornar mais visíveis, mais perceptíveis”, disse Kohl. “Mas isso não significa necessariamente que há algo de errado com aquele coiote. Na verdade, pode ser uma estratégia comportamental, por assim dizer, para tentar fazer com que você vá para outro lugar.”

Especialistas recomendam manter cães na guia e não investigar buracos grandes no chão que possam ser tocas. Ao ver um coiote, o melhor é não interagir e seguir em frente.

Em uma cidade cheia de barulho e movimento, os coiotes ficaram muito eficientes em se manter escondidos. A surpresa não é que eles vivam perto de nós - e sim quantas vezes conseguem fazer isso sem serem vistos.

O estudo completo foi publicado na revista Ecologia e Evolução.

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