Febre, tosse, vômitos, dores, quedas e manchas na pele costumam deixar pais e responsáveis em alerta. Apesar de muitas dessas queixas estarem ligadas a quadros leves e que melhoram sozinhos, existem sinais que apontam para a necessidade de atendimento imediato em um serviço com recursos diagnósticos e suporte pediátrico especializado.
O pediatra Daniel Cruz de Abreu, do pronto-socorro pediátrico do Hospital Vila Nova Star, da Rede D’Or, ressalta que alguns sintomas funcionam como verdadeiras “bandeiras vermelhas” e não devem ser deixados de lado. “Existem situações que exigem avaliação imediata, principalmente quando os sintomas surgem de forma intensa, persistem ou aparecem associados a outros sinais de piora clínica”, explica.
Ele lembra que, no outono e no inverno, por exemplo, os quadros respiratórios aumentam de forma importante, embora os sinais de alerta possam aparecer em diferentes cenários. Veja os principais:
1. Febre persistente, principalmente em bebês pequenos
A febre é uma reação normal do corpo, mas em bebês exige cuidado redobrado. “Em crianças com menos de um mês, qualquer episódio de febre é considerado urgência”, alerta Daniel Cruz de Abreu.
Também devem ser avaliadas febres que se mantêm por mais de 72 horas, sobretudo quando vêm acompanhadas de prostração, irritabilidade ou outros sinais associados. Já as convulsões febris são motivo para ir ao pronto-socorro.
2. Falta de ar ou dificuldade para respirar
Tosse, coriza e espirros são frequentes em infecções virais, porém passam a preocupar quando surgem junto de respiração acelerada, dificuldade para mamar ou falar e cansaço intenso. “Quando a criança apresenta esforço para respirar ou dificuldade para se alimentar por conta do desconforto respiratório, a avaliação médica deve ser imediata”, orienta o pediatra.
3. Dor abdominal intensa
Nem toda dor abdominal indica algo grave, mas dores muito fortes, que não passam ou ficam bem localizadas - especialmente se houver febre, vômitos ou irritabilidade - precisam de investigação. Quando a dor se concentra na região inferior direita do abdômen, pode existir suspeita de apendicite.
4. Vômitos frequentes e sinais de desidratação
Episódios repetidos de vômitos podem causar desidratação rapidamente, principalmente em crianças pequenas. Olhos fundos, boca seca e ausência de lágrimas ao chorar são sinais de alerta para desidratação.
Em bebês, a moleira afundada e a redução marcante da urina - como fraldas secas por muitas horas - também exigem atenção. Além disso, vômitos esverdeados, muito escuros ou com sangue precisam ser avaliados sem demora.
5. Manchas pelo corpo
Pequenos pontos roxos na pele, chamados de petéquias, especialmente quando aparecem com febre, devem ser avaliados por um médico. “Essas manchas podem estar relacionadas a infecções graves e não devem ser ignoradas”, explica o especialista da Pediatria Star. Já placas avermelhadas com coceira ou inchaço podem sugerir uma reação alérgica importante.
6. Dor de cabeça acompanhada de alterações neurológicas
Dor de cabeça que persiste, principalmente quando vem com vômitos, sonolência excessiva, irritabilidade intensa, confusão mental ou dificuldade para se movimentar, requer avaliação urgente. O chamado vômito em jato - quando o conteúdo sai com força e de forma súbita - também é um sinal relevante de atenção.
7. Quedas com impacto na cabeça
Pancadas na cabeça pedem observação cuidadosa, sobretudo em crianças pequenas. “É importante considerar não só a altura da queda, mas também o mecanismo do trauma e o impacto envolvido. Em crianças menores de dois anos, quedas acima de 90 centímetros são consideradas mais preocupantes. Acima dessa idade, o risco aumenta em quedas superiores a 1,5 metro”, explica Daniel Cruz de Abreu.
Após a queda, sonolência fora do habitual, vômitos, mudanças de comportamento, dor intensa ou deformidades visíveis são sinais que indicam a necessidade de atendimento imediato.
Atenção à evolução dos sintomas
Para Daniel Cruz de Abreu, quando há combinação de sintomas ou piora progressiva do quadro, o sinal de alerta se torna ainda mais relevante. “Observar a evolução do quadro é fundamental. Muitas vezes, sintomas inicialmente inespecíficos podem evoluir e indicar condições que exigem intervenção rápida”, destaca.
O médico reforça que, na dúvida, buscar avaliação profissional é a conduta mais segura. “A rapidez na identificação e no atendimento pode fazer diferença importante na evolução clínica”, afirma.
Por Samara Meni
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