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Peixe-remo vivo em águas profundas: vídeos raros mostram seu comportamento

Peixe comprido nadando próximo a pequeno robô amarelo subaquático com luz acesa.

Cientistas registraram um peixe-remo saudável e vivo bem abaixo da superfície do oceano, trazendo pistas diretas sobre como o peixe ósseo mais comprido do mundo realmente se desloca e se comporta no seu habitat.

Esse tipo de evidência muda a perspectiva sobre um animal que, por muito tempo, foi conhecido quase só por carcaças danificadas em praias e por séculos de histórias sobre “serpentes marinhas”.

Robôs registram peixe-remo vivo

Gravações feitas em grande profundidade no norte do Golfo do México mostraram um peixe-remo vivo avançando de forma constante pela penumbra da zona mesopelágica, longe da costa.

Ao analisar esses encontros pouco comuns, o cientista marinho Mark C. Benfield, da Louisiana State University (LSU), reuniu relatos dispersos e documentou o peixe-remo vivo dentro da sua faixa natural de profundidade.

Vídeos obtidos entre 2008 e 2011 indicaram que esses animais conseguem nadar com calma em águas profundas, sem os ferimentos que aparecem com frequência em exemplares encalhados.

Como quase nunca chegam à superfície enquanto estão vivos, essas observações oferecem uma das visões mais nítidas até agora do comportamento da espécie antes que tempestades, doença ou algum tipo de dano a empurre até a praia.

Quando o peixe-remo aparece nas praias

Em cidades litorâneas, a maioria dos avistamentos começa do mesmo jeito: um corpo prateado e muito comprido surge após uma tempestade ou depois de algum ferimento.

Em profundidades que podem chegar a cerca de 1.000 metros (3.280 pés) - e, com mais frequência, por volta de 200 metros (656 pés) - o peixe pode ter dificuldades quando condições ambientais o forçam a subir.

Durante décadas, câmeras não registraram peixes-remo saudáveis, e o primeiro vídeo confirmado de um indivíduo vivo só apareceu em 2001.

Esse intervalo ajuda a entender por que encontrar um exemplar na areia ainda passa a sensação de que o animal veio de “outro mundo”.

Um corpo em forma de fita

Ao longo do dorso, uma única nadadeira contínua vai da cabeça até a cauda, o que dá ao peixe-remo uma silhueta de fita. Em vez de impulsionar o corpo com golpes de cauda, ele avança ao ondular essa nadadeira, enquanto o tronco fica surpreendentemente rígido.

A pele prateada, as nadadeiras vermelhas e uma boca capaz de se projetar para a frente deixam o animal com um aspecto ao mesmo tempo delicado e estranho.

Essas mesmas características também dificultam a identificação de um exemplar encalhado, sobretudo quando as marcas onduladas se apagam após a morte.

Perda de cauda do peixe-remo explicada

Muitos peixes-remo grandes apresentam autotomia: eles se desfazem de uma parte da cauda para sobreviver, deixando um término “cego” e arredondado.

Depois da cavidade corporal, o peixe carrega principalmente musculatura, então a ruptura nessa região evita atingir os órgãos essenciais para mantê-lo vivo.

Cientistas já observaram tocos cicatrizados em muitos indivíduos com mais de 1,5 metro (5 pés) de comprimento, o que indica que a quebra pode ocorrer mais de uma vez.

Por isso, uma cauda ausente encontrada na praia não significa automaticamente ataque de tubarão, emalhe em rede ou colisão com embarcação.

Alimentação no meio da coluna d’água

Na meia-luz do oceano aberto, o peixe-remo se alimenta de krill, peixes pequenos e lulas que ficam à deriva na coluna d’água. A boca protrátil ajuda o animal a engolir água e, em seguida, filtrar a presa com os rastros branquiais - estruturas internas semelhantes a pentes na garganta.

Mantendo-se quase na vertical, com a cabeça voltada para cima, ele pode procurar silhuetas acima e então projetar a boca rapidamente para capturá-las.

Como essas presas ficam longe da costa, o peixe tem poucos motivos para subir até a arrebentação - a não ser quando algo dá errado.

Fazendo a próxima geração

Na costa do México, observadores relataram desovas entre julho e dezembro, o que sugere um padrão sazonal.

Ovos grandes, com cerca de 2,5 milímetros (0,1 polegada) de diâmetro, flutuam na superfície, e gotículas de óleo ajudam a mantê-los boiantes. Depois de até 3 semanas, as larvas eclodem como “miniaturas” do adulto e começam a se alimentar de plâncton antes de crescer e ocupar as profundidades.

Como os jovens ficam próximos da superfície, pesquisadores conseguem acompanhar as fases iniciais de crescimento sem precisar encontrar um adulto vivo em tamanho máximo.

Serpentes marinhas e peixe-remo

Relatos antigos descreveram o peixe-remo como uma serpente do mar, já que as pessoas normalmente só o encontram quando ele sobe de forma inesperada.

“Antigamente, acreditava-se que um peixe-remo nadando ‘remaria’ com as nadadeiras pélvicas em um movimento circular; daí viria o nome comum.”

Abaulações carnudas nessas nadadeiras têm células que lembram papilas gustativas, então é possível que elas ajudem o peixe a detectar alimento.

A combinação de avistamentos raros com uma anatomia incomum mantém em uso, até hoje, nomes como rei dos arenques e peixe-bandeira.

O que os avistamentos podem revelar

Registros de pescadores, museus e mergulhadores situam Regalecus glesne, a espécie gigante de peixe-remo, em mares temperados e tropicais ao redor do planeta.

Como o animal vive no oceano aberto e em grande profundidade, cientistas muitas vezes confirmam sua distribuição apenas quando redes de pesca ou encalhes entregam um corpo. Com cerca de 7,9 metros (26 pés) de comprimento e aproximadamente 272 quilogramas (600 libras), o peixe-remo é considerado o peixe ósseo mais longo já registrado.

Há relatos não confirmados que sugerem comprimentos perto de 17 metros (56 pés), mantendo o animal no imaginário público como um “peixe do fim do mundo”.

Detalhes desconhecidos sobre o peixe-remo

Equipes de petróleo e gás operam robôs subaquáticos o dia inteiro, e essas câmeras podem registrar peixes-remo sem que ninguém esteja, de fato, fazendo ciência.

Pequenas mudanças na forma como os operadores anotam horário, local e condições de iluminação podem transformar um clipe rápido em evidência aproveitável.

Quando os vídeos são compartilhados com biólogos, fica mais fácil comparar comportamentos entre regiões, em vez de depender de suposições baseadas em encalhes isolados.

Até que mais gravações se acumulem, o peixe-remo tende a voltar ao território dos boatos sempre que um corpo danificado aparece na costa.

Onde isso nos deixa

Imagens de grandes profundidades, exemplares encalhados e pistas da biologia da espécie agora apontam para um único peixe que raramente é visto vivo pelo público.

Com relatos mais bem documentados e manejo cuidadoso de espécimes, é possível trocar o discurso de “serpente marinha” por informações mais claras sobre como esse animal realmente vive.


Crédito da imagem: Duke Miller.

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