Pular para o conteúdo

Como 500 tartarugas-de-esporas-africanas ajudaram a restaurar o Sahel

Tartaruga caminhando no solo seco com planta jovem e caderno aberto ao lado durante o dia.

Um relato de restauração ambiental no Sahel, faixa ao sul do Saara, descreve o uso de 500 tartarugas-de-esporas-africanas depois que o plantio de árvores não conseguiu se estabelecer por causa do solo selado, do calor e da escassez de água. Cerca de cinco anos depois, teriam surgido pontos de vegetação nas proximidades das áreas revolvidas pelos animais.

Por que o plantio de árvores não funcionou nessa área?

A região degradada tinha uma crosta superficial muito compactada, que quase não deixava a chuva infiltrar. Sem reposição de água em camadas mais profundas, sementes e mudas secavam depressa; ao mesmo tempo, ventos fortes e temperaturas altas atrapalhavam a formação e a fixação das raízes.

A regeneração esbarrava em problemas típicos de áreas sob desertificação:

  • Solo endurecido e com baixa capacidade de infiltração;
  • Evaporação rápida da água da chuva;
  • Ventos capazes de deslocar areia e matéria orgânica;
  • Calor intenso durante o dia;
  • Ausência de abrigo para sementes e pequenos animais.

Como as tartarugas ajudaram a modificar o solo?

A tartaruga-de-esporas-africana, cujo nome científico é Centrochelys sulcata, cava tocas amplas para se proteger do calor durante o dia e do frio relativo à noite. Ao quebrar a camada compactada da superfície, esses túneis e escavações abrem passagens que permitem à água da chuva entrar no solo e ficar retida por mais tempo.

O que apareceu cinco anos após a soltura dos animais?

De acordo com as descrições do projeto, registros aéreos e imagens de satélite teriam revelado pequenas manchas verdes onde antes predominava areia exposta. As tartarugas não introduziram plantas diretamente; o que teriam feito foi criar um ambiente favorável para que sementes já existentes no solo - ou trazidas pelo vento - começassem a germinar.

Entre os efeitos apontados, estariam:

  • Maior retenção de umidade ao redor das tocas;
  • Germinação de gramíneas e outras plantas resistentes;
  • Acúmulo de matéria orgânica nas áreas escavadas;
  • Retorno de insetos, aves e pequenos vertebrados;
  • Formação de núcleos de vegetação dispersos pelo terreno.

Por que a espécie é chamada de engenheira do ecossistema?

Uma espécie é considerada “engenheira do ecossistema” quando modifica fisicamente o ambiente e, com isso, cria oportunidades para outros organismos. No caso das tartarugas, as tocas funcionam como áreas de sombra, umidade e abrigo, além de ajudarem a água a penetrar e o ar a circular no solo.

As tartarugas podem transformar o Saara em uma área verde?

Esse tipo de resultado não indica que os animais, sozinhos, conseguiriam converter todo o deserto em floresta. A restauração depende do regime de chuvas, do manejo e conservação do solo, do controle do pastoreio e da proteção das tartarugas. Além disso, não haveria informações públicas suficientes sobre o ponto exato, o monitoramento científico e a área total atribuída à experiência com os 500 indivíduos.

Ainda assim, o caso destaca como uma espécie nativa escavadora pode contribuir para reativar processos ecológicos. Em vez de tentar substituir a vegetação com plantios isolados, a reintrodução pode favorecer o próprio terreno a reter água, receber sementes e, aos poucos, recompor uma rede de vida adaptada às condições do Sahel.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário