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Assembleia Municipal do Porto aprova transportes públicos gratuitos na AMP com custo anual de 20,5 milhões de euros

Grupo diversificado de passageiros sorridentes no ônibus mostrando cartões de transporte para pagamento.

Aprovação na Assembleia Municipal do Porto

A Assembleia Municipal do Porto deu luz verde, na noite de segunda-feira, à proposta de transportes públicos gratuitos, permitindo que os moradores do Porto circulem por toda a Área Metropolitana do Porto (AMP). O custo anual máximo preliminar é estimado em 20,5 milhões de euros.

Apesar de o executivo querer antecipar a aplicação para este verão, a entrada em vigor está apontada para 01 de janeiro de 2027.

Na votação, a iniciativa teve apenas um voto contra, do Chega, e registrou a abstenção da CDU e do grupo municipal "Filipe Araújo: Fazer à Porto".

Reações dos partidos à medida de transportes públicos gratuitos

Mesmo sustentando que "atrair mais pessoas para o transporte público não depende apenas do preço" e apontando "fragilidades técnicas e financeiras", o deputado do PS Agostinho Sousa Pinto explicou o apoio por o partido não querer assumir uma "posição de rejeição fácil ou de oposição sistémica".

Pelo Chega, Carlos Graça afirmou que faltou a apresentação de documentos que assegurem "a sustentabilidade, equidade e legalidade" da proposta.

Já o eleito do PSD, Ignácio Prieto, descreveu a decisão como o "princípio de um caminho" rumo a uma cidade onde "o transporte público será mais vezes considerado como primeira opção". O CDS-PP também defendeu essa orientação e manifestou expectativa de que os demais municípios da AMP adiram à iniciativa.

Joana Sousa disse que a IL está comprometida em "acompanhar a execução de todas as medidas prevista no programa [do PSD/CDS-PP/IL] que garantam que esta estratégia de mobilidade terá resultados visíveis na vida da cidade", lembrando que, em março, o deputado liberal Pedro Schuller havia declarado que o partido "não vê com bons olhos" a medida.

Pela CDU, Francisco Calheiros criticou a "falta de coerência" das propostas do PSD em âmbito nacional, "onde para algumas cidade propõe transportes gratuitos para todos e noutras não".

Para Susana Constante Pereira, do BE, a gratuidade dos transportes públicos "só vai cumprir o seu objetivo se for acompanhada por um reforço da capacidade de resposta", embora tenha defendido a necessidade de "dar um primeiro passo".

Bernardo Marta, do Livre, elogiou a "medida ecologista" do executivo e pediu que ela passe a incluir também formas de mobilidade suave, com a ampliação de ciclovias.

Pelo grupo "Filipe Araújo: Fazer à Porto", António Agostinho Guedes afirmou querer conceder o benefício da dúvida, mas disse esperar "uma quantificação dos objetivos daquilo que representa o sucesso da medida".

O presidente da autarquia, Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL), admitiu que a medida teria "uma eficácia superior" caso fosse assumida por vários municípios da AMP e reforçou que é preciso "melhorar o serviço de transporte coletivo", ainda que acredite que a iniciativa possa impulsionar uma "mudança de paradigma".

Modelo tarifário integrado: Cartão Porto e Passe Metropolitano Andante

Conforme a proposta, é "adequado substituir o modelo atualmente em vigor por um título tarifário integrado, associado ao Cartão Porto, com âmbito territorial equivalente ao Passe Metropolitano Andante e acesso aos serviços de transporte público nele integrados".

Custos estimados e dotação orçamental do programa

A dotação orçamental prevista para o programa é, "para o ano de 2026, de um máximo de Euro 10.250.000 (dez milhões duzentos e cinquenta mil euros), para o ano de 2027 de Euro 18.700.000 (dezoito milhões e setecentos mil euros) e para o ano de 2028 de Euro 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil euros)".

Segundo o estudo de fundamentação do contrato, ele "aponta para uma estimativa preliminar de custo anual máximo aproximado de 20,5 milhões de euros, que corresponde em termos mensais a um custo médio aproximado de 1,71 mihões de euros".

Contrato com a TMP e cronograma operacional

De acordo com a minuta contratual, o acordo entre a Câmara do Porto e a Transportes Metropolitanos do Porto (TMP) "produz efeitos financeiros e operacionais em 01 de julho de 2026 ou na data do visto ou da declaração de conformidade do Tribunal de Contas, se posterior".

A Câmara do Porto estima que o total de usuários do transporte público chegue a 59.381. Esse número, segundo o município, "resulta da aplicação da quota modal do transporte público" definida a partir do diagnóstico do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS), ainda em elaboração, e corresponde a 23,5% da população residente estimada em 2025 (252.687).

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