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Nos bastidores do Museu de Ciência de Boston: Rocky, o chuckwalla, e o “snalt”

Pessoa com luva limpando a parede de vidro de um terrário com um lagarto sobre uma pedra dentro.

Bastidores do Museu de Ciência de Boston

Trabalhar no Museu de Ciência de Boston nem sempre tem glamour. Em algum momento, alguém precisa limpar a meleca de lagarto.

Em um novo vídeo de bastidores, uma funcionária do museu conta, bem-humorada, como é remover do vidro do terrário de Rocky, o chuckwalla, a gosma que ele deixa para trás.

O material esbranquiçado que ela passa no pano não é um muco nasal comum.

Rocky, o chuckwalla, e o “snalt” (sal pelo nariz)

Quando o chuckwalla “faz ‘atchim’”, ele não espirra apenas secreção: ele expulsa sal. Se esse lagartão não fizesse isso, provavelmente morreria de desidratação nos desertos da América do Norte.

Essa secreção muito salgada às vezes recebe o apelido de “snalt”, já que contém sais de bicarbonato de potássio e de sódio, que secam e viram cristais. Por isso, é frequente ver a espécie com um resíduo branco em volta das narinas - lembrança de um espirro anterior.

Sem essa bagunça mucosa, o grande lagarto poderia até sofrer uma “overdose” de sal.

A alimentação do chuckwalla no deserto é composta sobretudo por plantas salgadas, e ele raramente bebe água. A maior parte da hidratação vem do que ele come.

Por essa razão, o animal desenvolveu glândulas especiais que filtram o sal do organismo e eliminam o excesso pelo nariz, ajudando a evitar a desidratação.

Outras espécies de lagartos com dietas igualmente salgadas também borrifam “snalt”. É o caso das iguanas-marinhas de Galápagos, que se alimentam de algas, e dos lagartos-monitores do manguezal, que inclusive conseguem beber água salgada.

Vida no deserto: calor extremo e truques de sobrevivência

Só que o chuckwalla não vive no litoral. Ele habita ambientes desérticos pedregosos, como o Vale da Morte, um dos lugares mais quentes do planeta.

Ainda assim, o calor não o intimida. Ele hiberna no inverno e fica mais ativo durante o dia, quando no verão as temperaturas podem chegar a 49 °C (120 °F).

Quando se sente ameaçado por predadores, o chuckwalla esvazia os pulmões, achata o corpo e se enfia em fendas bem estreitas. Em seguida, ao encher os pulmões novamente, ele se “ancora” no espaço, tornando quase impossível que um predador o puxe para fora.

Pode ser um bicho de um ambiente extremo, mas o chuckwalla está mais do que preparado. Cada espirro salgado é uma bênção… só não para quem cuida dele no museu.

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