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Michael Ziccardi e Ashley Patterson alertam sobre resgate de animais em desastres em Portugal

Dois homens com coletes laranja cuidam de pássaro marinho na praia, próximo a caixas de transporte e óleo no chão.

Quando uma tragédia ocorre, o medo se espalha e a preocupação imediata quase sempre é proteger vidas humanas. Michael Ziccardi e Ashley Patterson chamam a atenção para um ponto que não pode ficar para trás: os animais também precisam ser lembrados.

Michael Ziccardi e Ashley Patterson e a CVET em Portugal

A convite da Provedora do Animal, Laurentina Pedroso, os especialistas Michael Ziccardi e Ashley Patterson - referências no resgate de animais em cenários de calamidade - estiveram em Portugal.

Os dois integram a Equipa Veterinária de Emergência da Califórnia (CVET), que coordena diferentes organizações para garantir assistência veterinária a animais atingidos por catástrofes naturais ou por ocorrências provocadas pela ação humana.

Derramamento de petróleo: impactos em ecossistemas marinhos

Com cerca de 30 anos de atuação, Ziccardi trabalha como veterinário especializado em derramamentos de petróleo. Segundo ele, essas situações podem afetar "os ecossistemas marinhos a todos os níveis da cadeia alimentar". De mamíferos marinhos a aves, ele destaca que "cada espécie é afetada de diferentes maneiras".

Conforme explica o perito, há animais que "ingerem o óleo e morrem da exposição"; outros "respiram os vapores e danificam os seus pulmões"; e há ainda aqueles que "são revestidas com óleo e já não conseguem manter uma temperatura corporal normal na água fria."

Ziccardi avalia que, hoje, existe mais consciência pública sobre os possíveis efeitos de um derramamento de petróleo na vida animal. Mesmo assim, ele entende que a resposta das equipes de resgate ainda fica aquém do necessário.

Preparação de tutores: orientações de Ashley Patterson

Em uma catástrofe, a mobilização não se limita às equipes profissionais. Ashley Patterson, que atua como veterinária voluntária em desastres naturais, compartilha recomendações práticas para tutores.

Ela afirma: "Recomendamos sempre ter um kit de emergência pronto" e também definir antecipadamente um lugar para onde os animais possam ser levados. Outra medida, segundo Patterson, é acostumar os animais às gaiolas de transporte para "reduzir o stresse".

A especialista ressalta que "cada desastre é diferente" e que "ver os animais a sofrer tem sempre um impacto emocional." Para que o trabalho das equipes de socorro seja efetivo e traga resultados positivos, Patterson enfatiza que é oferecido "treinamento gratuito" a todos os integrantes, com o objetivo de "prepará-los para os desafios emocionais que possam enfrentar."

Portugal, a Provedora do Animal e falhas na resposta a grandes desastres

Sobre o cenário português, Laurentina Pedroso afirma que o país "deu passos importantes na proteção dos animais, mas ainda não está totalmente preparado para responder de forma eficaz a catástrofes de grande dimensão."

Na visão da Provedora do Animal, uma das principais fragilidades é a "ausência de uma estrutura nacional especializada em emergência e resgate animal", proposta que ela defende desde 2021. Em desastres como, por exemplo, incêndios florestais, Laurentina Pedroso reconhece que "a prioridade operacional continua a ser a proteção da vida humana". Nesses contextos, o resgate de animais "ocorre apenas quando as condições de segurança o permitem."

Ainda assim, ela garante que "os animais selvagens são considerados sempre que possível nas ações de resgate". Essa atuação fica a cargo de equipes do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, do Serviço de Proteção e do Ambiente da GNR, além de bombeiros e associações de proteção animal.

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