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Audi A8 renovado estreia iluminação digital com Digital Matrix LED e OLED

Carro Audi A8 Digital prata em exposição dentro de ambiente moderno com piso brilhante.

O Audi A8 reestilizado passa a ser o primeiro carro da marca que pode sair de fábrica com um conjunto de iluminação externa 100% digital, combinando a tecnologia Digital Matrix LED nos faróis dianteiros e lanternas traseiras digitais OLED.

A partir do verão de 2022, três recursos extras baseados nesse sistema passam a estar disponíveis, conforme descreveu Stephan Berlitz, diretor de desenvolvimento de iluminação da Audi: “informação avançada de trânsito; via de rodagem iluminada com luzes indicadoras de direção nas autoestradas; e uma luz de orientação nas estradas secundárias”.

Foram exatamente essas três novidades que tivemos a oportunidade de experimentar à noite em Ingolstadt, sede da Audi ao norte de Munique - momento em que os engenheiros também compartilharam o que está no radar para os próximos passos.

Um pouco de história

A iluminação digital da Audi representa mais um salto dentro de uma evolução que acompanha o automóvel desde o início.

Nos primeiros tempos, as “carruagens com motor” nem tinham faróis. Quando eles surgiram, no fim do século XIX, eram apenas pequenos pontos luminosos alimentados por petróleo - e exigiam um ritual: abrir uma campânula, acionar uma válvula de alimentação de acetileno e, por fim, acender com um fósforo.

As primeiras lâmpadas elétricas incandescentes apareceram pouco antes de 1920. Depois, o próximo grande avanço veio com a Hella, ao introduzir os faróis halógenos. “Depois disso vemos que as evoluções aceleraram a sua cadência, como aconteceu em todas as indústrias”, explica Berlitz.

A linha do tempo reforça essa aceleração: em 1972, chegam as primeiras aplicações de faróis duplos na Audi; em 1994, aparecem os primeiros faróis de xenônio; em 2008, as lâmpadas Full LED (Diodos Emissores de Luz); em 2013, os faróis Matrix; e, no ano seguinte, os Laser. Em 2016, foi a vez das lanternas traseiras OLED (LED Orgânico) e, em 2021, a luz digital (Digital Matrix LED) estreou no Audi A8 reestilizado.

Cesar Muntada, catalão que vive há décadas na Alemanha e lidera o design do sistema, resume a evolução: “nos primeiros sistemas Matrix HD (no anterior A8 e no Q8), só era possível escurecer um segmento vertical de luz, depois melhorámos na geração seguinte fazendo-o também horizontalmente e, agora, com o Digital Matrix LED, passou a ser possível fazê-lo em cada ponto de luz, sem necessidade de ir por segmentos. Além de que se tornará possível ver atualizações dos sistemas de iluminação por via remota (over the air) num futuro próximo”.

Faça-se luz no Audi A8

Depois de uma apresentação sobre como a tecnologia de iluminação automotiva deve evoluir nos próximos anos (mais adiante), saí com um Audi A8 para um trajeto noturno pensado para mostrar o quanto a visibilidade melhora com esse salto tecnológico.

Nos primeiros quilômetros, a sensação foi de leve frustração: eu não percebia diferença clara no alcance ou na intensidade dos fachos - muito menos enxergava qualquer função nova em ação. Uma ligação para os especialistas da Audi explicou o motivo: “ainda estamos no lusco-fusco, tem que esperar mais uns minutos para estar suficientemente escuro”. Faz sentido.

Quando a escuridão finalmente se estabeleceu, já na rodovia, apareceu a projeção da chamada luz de orientação: setas escuras surgem ao lado do que a Audi define como “tapete de luz”, visível no piso entre as marcações da pista.

Esse recurso faz diferença especialmente em rodovias com tráfego intenso ou em trechos de obras (que a Audi “teve o cuidado” de incluir no itinerário do teste), porque ajuda o motorista a manter o olhar no asfalto à frente, justamente onde a luz está concentrada.

Em seguida, veio a segunda função nova: ao acionar a seta para a direita, o sinal intermitente de mudança de direção também é projetado no chão, reforçando para os demais usuários da via a intenção do motorista.

A terceira novidade serve para acelerar a percepção de riscos à frente: um pictograma de “outros perigos” é projetado na pista. Assim, quem dirige não precisa tirar os olhos do asfalto (o alerta também pode aparecer no painel de instrumentos ou na tela do sistema de infoentretenimento) para ser avisado do que está acontecendo.

Mais funcionalidades do Digital Matrix LED

Além dessas três funções que chegam agora ao A8, o topo de linha da Audi mantém os demais recursos do sistema Digital Matrix LED - um opcional com preço em torno de 1900 euros - que se mostram tão impressionantes quanto (ou até mais) em estradas secundárias.

O sistema ajuda a identificar pedestres próximos ao acostamento em áreas pouco iluminadas. E as lanternas traseiras digitais OLED (apresentadas no Audi TT RS) aumentam a luminosidade ao acender todos os segmentos quando detectam um veículo (uma pessoa ou uma bicicleta) se aproximando da traseira do A8.

Além disso, elas podem exibir um grafismo escolhido pelo próprio usuário - via sistema de infoentretenimento - funcionando como uma espécie de assinatura digital.

Acima de tudo, a condução noturna ganha uma sensação clara de proteção com um verdadeiro “banho de luz” à frente do A8 (inclusive nas seções laterais dianteiras). Também chama atenção a capacidade bem mais refinada de “mascarar” os veículos que vêm em sentido contrário ou seguem na mesma direção - sem ofuscar os motoristas.

Aliás, ao seguir um carro mais antigo, com iluminação claramente defasada, fiquei com a impressão de que o motorista dele se surpreendeu com o clarão à frente do próprio veículo, que o ajudou a enxergar melhor (faixas de pedestres, placas, etc.). Isso porque aquela luminosidade ampla e intensa vinha, na verdade, dos faróis do A8 atrás - só que com a área correspondente ao carro à frente e aos olhos do motorista devidamente escurecida.

O avanço é nítido e deve se traduzir em mais conforto, menos fadiga e mais segurança na condução noturna.

Quando pedi a Cesar Muntada que apontasse os principais ganhos para quem usa o carro, ele foi direto: “as áreas iluminadas são muito maiores do que antes e, como somos capazes de escurecer os píxeis, há muito mais extensões que permanecem sempre com luz mesmo quando está a ser feito um escurecimento. Por outro lado, as transições luz/escuridão são muito mais rápidas e suaves. E para os condutores dos carros com que nos cruzamos o efeito de ofuscar é muito inferior”.

O que podemos esperar nos próximos anos

No workshop voltado a mostrar o que está sendo desenvolvido para o curto e médio prazo, a Audi destacou a possibilidade de o usuário aproveitar a luz do veículo para passar o tempo com jogos projetados no chão ou em uma parede à frente do carro.

Esses jogos devem ser controlados por um terminal pessoal móvel em conjunto com os faróis dianteiros, que passam a atuar como projetores de videogame.

Com menos foco no entretenimento e mais na segurança, as luzes OLED flexíveis contam com um substrato maleável, capaz de assumir estruturas tridimensionais. Isso deixa os formatos mais precisos e ainda abre espaço para projetar pictogramas luminosos para o ambiente externo.

O mundo ao redor também pode receber informações sobre diferentes tipos de perigos a alguns metros à frente, exibidas nas lanternas traseiras ou no óculo posterior.

Nesse campo de comunicação por iluminação digital, ainda há muito a avançar: será necessário criar padrões de uniformização e também marcos legais para que as mensagens sejam percebidas com rapidez e sem ambiguidades.

Ainda assim, Muntada não hesita ao apontar para onde vai a próxima grande evolução: “Tudo se resume a tornar o mundo um lugar melhor com luz, usando uma abordagem centrada no ser humano e que, forçosamente, terá que ser democratizada porque só assim se irá repercutir em benefícios globais. Será uma tarefa difícil, pois envolverá muitos fabricantes e legisladores de automóveis, para que os pictogramas e os gráficos se tornem imediatamente reconhecíveis e intuitivos. As pessoas entendem as coisas de maneira diferente, dependendo das nuances culturais.”

À conversa com Stephan Berlitz, diretor de desenvolvimento de sistemas de iluminação

Razão Automóvel (RA): Durante o percurso de condução noturna, houve alguns condutores com que me cruzei que chegaram a fazer-me sinal de luzes. Isso acontece porque a temperatura da luz Digital Matrix LED (DML) é mais forte que o LED normal?

Stephan Berlitz (SB): Pode ter acontecido por se aperceberem de um tipo diferente de luz ou uma área iluminada maior do que o normal à sua frente, mas posso garantir que o brilho da DML não causa qualquer deslumbramento.

RA: Quando tentei ativar o DML em várias ocasiões, não consegui, porque não estava disponível. A disponibilidade do sistema depende da velocidade, da localização do carro (se estiver em uma área urbana, por exemplo)… ou de ambas?

SB: De ambas, na verdade. O sistema de navegação informa o sistema DML que está a passar por uma área urbana e, portanto, o sistema está desligado. Uma sucessão de semáforos detetados pela câmara também informa o sistema que o veículo está a passar por uma área urbana. E, abaixo de 50 km/h, muitas funcionalidades também não estão ativas (não existindo limite máximo de velocidade).

RA: Em vias rápidas via o “tapete de luz” projetado na estrada à frente e a extensão da área iluminada mais forte de maneira intermitente, mas em estradas secundárias não há “tapete de luz” ou efeito de luz a piscar. Em vez disso, há 2+2 setas projetadas na estrada, a lembrar as setas de realidade aumentada… , mas parecem ser discretas e difíceis de distinguir do asfalto. É intencional ou o utilizador pode ajustar a sua luminosidade?

SB: As setas são muito discretas, porque é algo que está sempre a mover-se na frente do carro. Se fosse mais forte, a sua luminosidade incomodaria o condutor. Não é um aviso, é uma luz de assistência.

RA: Em algumas ocasiões, senti que a luz DML era muito forte quando estava a ser refletida por sinais de trânsito (especialmente os de fundo azul), até um ponto em que me senti ofuscado…

SB: Já reduzimos a intensidade da luz em 30% quando o sistema deteta um sinal de trânsito. Se reduzirmos ainda mais, a câmara ou o condutor (ou ambos) podem não ver o sinal. Há que considerar que o teste de hoje à noite foi feito sob condições climáticas muito boas, céu claro, lua cheia…

Se estivesse nublado e/ou chuvoso, provavelmente consideraria a intensidade da iluminação adequada. Mas até admito que possa estar certo: talvez a reflexão da luz sobre os sinais de trânsito ainda seja muito forte e é algo que teremos que continuar a avaliar.

RA: Como vai ser possível fazer a passagem desta tecnologia para carros mais compactos e menos caros? Que tipo de limitações são expectáveis em termos de «embalagem» e custos?

SB: Esse é um caminho normal para qualquer nova tecnologia: surge nos carros mais caros e depois vai sendo passada para os segmentos de mercado abaixo. Já estamos a pensar em formas de reduzir o tamanho do equipamento nas próximas gerações e também em algumas funções diferentes para a luz digital, com muitos píxeis, mas não os milhões de píxeis que temos neste sistema.

Temos que reduzir o tamanho, sim, mas as principais funcionalidades serão mantidas (como o “tapete de luz”, a orientação etc.), o que significa que usaremos a arquitetura eletrónica geral.


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